(Que me atormentas dias, horas sem fim).
Não é justo!
Eis que voltou a inércia e questões sem nexo.
Não queria, mas aceitei sem saber ao certo o porquê!
Apenas sei que teve de ser.
O passado voltou, o nosso passado juntos e deixa-me sem palavras. Como pode ter voltado? E desta vez veio com mais força, o tempo fez-te exactamente o que esperava. Alguma tristeza no olhar que me fascina veio também, já não falas tanto como outrora, mas continuas a sorrir com o ar descontraído de sempre, encantas-me!
Pela terceira vez voltas a aparecer na minha vida e eu recebo-te de braços abertos de coração cheio de dúvidas e já partido.
Nada disto é fácil quando as circunstâncias das nossas vidas, principalmente a tua, o impedem de ser.
Como seria perfeito se o contrário fosse... Ambos livres e desimpedidos de fantasmas e responsabilidades acrescidas que a vida se encarregou que nos dar.
Deixaste-me novamente deslumbrada, gosto disso! Sensação leve e de alguma paz. Mas é momentâneo sabes... Dura tão pouco como os nossos encontros. Fico de tal forma feliz quase em êxtase que sinto de facto falta de ar, tento controlar ao máximo para que nunca percebas, como tento... acho que consigo, penso! E de repente vais embora, vejo-te partir, é difícil olhar para ti nesse momento. Finto-te e faço de tudo para não olhar nos teus olhos. Afinal nada disto pode acontecer e tu nunca poderás saber o que realmente sinto e quero. Dizes adeus, é a palavra que mais custa ouvir, custa tanto como abrir a porta do carro e sair. Na minha mente penso que nunca mais te irei ver, é um vazio enorme e o silêncio entre o adeus e o abrir a porta e sair parece-me uma fracção de um segundo nem dou por nada se dizes algo nem oiço. Interrogo-me exactamente com a mesma questão que anos antes me interrogava - «Porque o fazes?» - Pergunto-o a mim mesma para me dar alguma réstia de dignidade, da pouca que me resta é o que me faz seguir em frente, não cair, baixar as defesas e chorar copiosamente. É de facto injusto e chega a ser triste, porque raio temos de esconder o que sentimos? Porra para isto tudo, grito, faz bem praguejar um pouco, não me sinto tão incapaz!
Incapacidade essa de lutar mais, querer mais, fazer mais, fosse eu cheia de garra e sem medos. Seria tudo diferente e mais lúcido para mim e para ti. Sempre ouvi dizer que tudo acontece por alguma razão, seja ela qual for será a certa ou não, mas decerto irá mudar esta vida. Assim o espero, como sempre fiz - esperar - passo a minha vida à espera, espero tanto que passaram anos sem eu dar por isso. Continuo nesse limbo de infelicidade.
Oh tu... farei eu agora que te sinto tanto todos os dias querendo mais e mais.
Vamos fugir para bem longe disto tudo, vamos! Só por uns dias, um dia, uma noite, uma hora. O suficiente para eu saciar a minha tão inesplicável vontade de te ter novamente, saborear cada parte do teu corpo nu sedoso e suado sentir a tua respiração forte, o teu abraço e os teus beijos que neles noto a incerteza do teu desejo. Loucura esta; imaginar tudo isto quando não se pode ter nada. O sonho é o que resta.
Sempre tive dúvidas que a felicidade estivesse comigo, mas por breves instantes voltei a acreditar e soube bem!
Horas, passaram horas desde a última vez que falamos.

